Eu estava na oitava série naquela época. Uma escola normal, uma turma normal. Éramos 28 — 18 meninos e 10 meninas. A turma não era muito unida, mas eu conhecia bem cada um dos meus colegas, e ainda lembro de todos. Mas éramos 28 naquela época. Agora não mais. Foi o seguinte que aconteceu. No final de maio de 2025, a escola inteira saiu para um passeio, como sempre fazemos no final da primavera — é tradição. Sempre íamos para um bosque próximo. Cada turma escolhia uma clareira e montava seu acampamento lá. Naquele dia, fomos 20. Alguns estavam doentes, dois estavam viajando, e alguns simplesmente não quiseram ir. No começo, tudo estava normal. Estendemos uma toalha, colocamos a comida. Brincadeiras ao ar livre, juntar lenha, nos divertindo. Depois os meninos quiseram ir até o lago. Eu e mais duas meninas fomos junto. Então, dez de nós partimos rumo ao lago. Ficava a uns 15 minutos de caminhada, mas andávamos e andávamos. Parecia que estávamos andando em círculos. Já fazia uns 40 minutos e não conseguíamos chegar. Eu me sentia estranhamente sonolenta e exausta. Nós, meninas, começamos a reclamar que queríamos voltar, que algo estranho estava acontecendo. Os meninos só riram da gente, embora alguns também parecessem preocupados. Depois de uma breve discussão, nós três meninas e mais dois meninos decidimos voltar. Cinco meninos se recusaram a voltar. Timur disse que agora era questão de princípio — ele ia chegar naquele maldito lago. Alex e Nikita ficaram zoando entre si, nos chamando de medrosas. Amir e Makar simplesmente foram com eles. Nós cinco voltamos bem rápido, embora todos dissessem que não estavam se sentindo bem e que estavam com muito sono. Em 10 minutos já estávamos de volta. Respiramos aliviados. Mas uma hora depois, começamos a nos preocupar porque os meninos não voltavam do lago. Falamos com a professora — talvez alguém devesse ir atrás deles, só por precaução. E aí começou aquilo que no início achamos que era uma pegadinha. Ninguém entendia de quem estávamos falando. A professora dizia que a turma toda estava ali. Nossos colegas — os que não tinham ido conosco — diziam coisas como "Vocês tão zoando?" e "Tamos todos aqui, por que vocês tão inventando mais colegas?". No começo ficamos com raiva. O tempo passava, os meninos podiam estar em perigo, e todo mundo nos pregando essa peça idiota. Depois entrou a histeria. Ninguém lembrava deles. Nem a professora, nem os outros colegas — ninguém além de nós cinco. Depois disso minhas lembranças ficam confusas. Lembro que nos recusamos a ir embora, não queríamos abandonar nossos amigos no bosque. Alguém foi chamar nossos pais. Depois lembro que já estava em casa. Meus pais estavam comigo, me mostrando a foto da turma. Quase toda a turma estava na foto. Mas Timur, Amir, Makar, Nikita e Alex não estavam. E eu lembro que estavam antes. Eles tinham sumido de todas as nossas fotos em grupo. Ninguém lembrava deles. Fui falar com a mãe do Nikita. Ela me disse: "Querida, meu filho mais velho só tem 8 anos. Que Nikita?". Os pais do Timur e do Makar a gente nem conseguiu encontrar — descobrimos que suas famílias não moravam mais nas casas onde moravam ainda no dia anterior. Agora estou na nona série, e somos 22. Aqueles cinco meninos nunca voltaram, e ninguém lembra deles, como se nunca tivessem existido. Só nós lembramos: os cinco que se separaram deles no caminho para o lago. No início a gente conversava muito sobre isso. Tentava entender o que tinha acontecido. Um acidente? Foram parar em outra dimensão? Agora não falamos mais sobre isso. Acho que é pesado demais para cada um lidar com isso. Uma das meninas não aguentou e a família dela se mudou da cidade. Quanto a mim, no começo eu tinha pavor de desaparecer também e ninguém sequer lembrar de mim. Já não tenho mais esse medo. Mas penso o tempo todo sobre o que é realmente real, e o que talvez ontem fosse completamente diferente. E se ontem eu tinha uma irmã, e hoje não lembro dela e nem sei que ela existiu? Pensamentos desse tipo. Isso enlouquece. Então escrevi os nomes deles aqui, e pelo menos em algum lugar a memória deles vai ficar. De que eles existiram. De que eram jovens e cheios de vida. De que alguns de nós ainda lembram deles.